segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Vampiro de Curitiba

Imagino que todo artista, independente da categoria, sonha em ter seu trabalho reconhecido e premiado. O momento do merecido aplauso deve ser aguardado com ansiedade, sempre pensei, até ouvir falar de Dalton Trevisan, escritor curitibano ganhador do prêmio Camões de Literatura desse ano. Grandes nomes como o de Jorge Amado, Lygia Fagundes Teles, Ferreira Gullar, entre outros, já foram honrados com o prêmio, mas nem mesmo a grandeza da premiação fez com que Trevisan, que completa 87 anos no próximo dia 14, abrisse uma exceção: Não concedeu sequer uma entrevista, para tristeza dos jornalistas que inutilmente tentaram.




Nesse momento atual em que vivemos o Império da Imagem, tudo que Dalton menos quer é aparecer. Um dos seus mais conhecidos livros é " O Vampiro de Curitiba", que acabou se tornando também seu codinome devido a sua vida extremamente reclusa. Pra se ter uma ideia a sua última foto data de 1972, isso mesmo, já se passam 40 anos desde seu último registro fotográfico oficial, algo inimaginável para nossos dias.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Aos amigos

Não posso dar-te soluções
Para todos os problemas da vida,
Nem tenho resposta
Para as tuas dúvidas ou temores,
Mas posso ouvir-te
E compartilhar contigo.

Não posso mudar
O teu passado nem o teu futuro.
Mas quando necessitares de mim
Estarei junto a ti.

As tuas alegrias
Os teus triunfos e os teus êxitos
Não são os meus,
Mas desfruto sinceramente
Quando te vejo feliz.
Não julgo as decisões
Que tomas na vida,
Limito-me a apoiar-te,
A estimular-te
E a ajudar-te sem que me peças.

Não posso traçar-te limites
Dentro dos quais deves atuar,
Mas sim, oferecer-te o espaço
Necessário para cresceres.

Não posso evitar o teu sofrimento
Quando alguma mágoa
Te parte o coração,
Mas posso chorar contigo
E recolher os pedaços
Para armá-los novamente.
Não posso decidir quem foste
Nem quem deverás ser,
Somente posso
Amar-te como és
E ser teu amigo.

Todos os dias, penso
Nos meus amigos e amigas,
Não estás acima,
Nem abaixo nem no meio,
Não encabeças
Nem concluís a lista.
Não és o número um
Nem o número final.

E tão pouco tenho
A pretensão de ser
O primeiro
O segundo
Ou o terceiro
Da tua lista.
Basta que me queiras como amigo.
Dormir feliz.
Emanar vibrações de amor.
Saber que estamos aqui de passagem.
Melhorar as relações.
Aproveitar as oportunidades.
Escutar o coração.
Acreditar na vida.

Obrigado por seres meu amigo.


Jorge Luis Borges

sexta-feira, 30 de março de 2012

Como faz falta


Na última semana o Brasil perdeu um de seus maiores artistas de todos os tempos. Além do seu humor insubstituível, vamos sentir falta também da generosidade de Chico Anísio.
Uma de suas maiores preocupações era dar oportunidade para quem tinha talento. Na Escolinha do Professor Raimundo, como sabemos, ele deu voz a vários humoristas mais velhos que estavam sumidos e ainda revelou vários novos artistas. Em meio a várias homenagens prestadas, nos últimos dias, uma entrevista com Lúcio Mauro Filho me chamou atenção: ele contou como Chico foi fundamental pra sua carreira graças a um "puxão de orelha" que lhe deu um certo dia no Projac. Lúcio estava em um momento de indefinição, tinha feito vários testes para participar de novelas, quando Chico o questionou: "Até quando você vai ficar desperdiçando seu talento fazendo outras coisas"? - a partir daí Lúcio resolveu se dedicar ao que fazia melhor, o humor.

Pessoas como Chico são cada vez mais necessárias e mais difíceis de encontrar!

domingo, 18 de março de 2012

Se me esqueceres

Quero que saibas
uma coisa.

Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.

Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.

Se de súbito
me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.

Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.

Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus.

Neruda

quarta-feira, 14 de março de 2012

Cisnes

A vida, manso lago azul algumas

Vezes, algumas vezes mar fremente,

Tem sido para nós constantemente

Um lago azul sem ondas, sem espumas.



Sobre ele, quando, desfazendo as brumas

Matinais, rompe um sol vermelho e quente,

Nós dois vagamos indolentemente,

Como dois cisnes de alvacentas plumas.



Um dia um cisne morrerá, por certo:

Quando chegar esse momento incerto,

No lago, onde talvez a água se tisne,



Que o cisne vivo, cheio de saudade,

Nunca mais cante, nem sozinho nade,

Nem nade nunca ao lado de outro cisne!


Júlio Salusse

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tempos Modernos


Acordar, levantar, escolher a roupa, ir trabalhar.
Chegar, organizar, ajeitar, nada pode sair da rotina.
Fazer muitas coisas ao mesmo tempo,sempre do mesmo jeito.

Há espaço para algo diferente?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Felicidade

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!


Fernando Pessoa